segunda-feira, 26 de outubro de 2015

La vie 🌹🍁 (a vida)

Riso  fácil, nem sempre
Paz de espírito, ausente
Minha luz, apagada
O que me resta, quase nada
O grito agudo, oculto
Felicidade, um vulto
A esperança, surrada
Da longa espera cansada
A rotina, castiga
O vil metal oxida
O ouro puro de outrora  não brilha
Qual o caminho?
A trilha, batida, comprida;
A vida...
                       28/09/2015

Saindo de mim

Existe um lugar onde Eu existo
Mas eu só o encontro saindo de mim
As possibilidades são infinitas
Mas é  só lá que eu sou assim
No eu que eu sou as nuances são outras
Meu brilho se apaga e as chances são poucas
O seu eu me sufoca, me oprime
E o meu eu então se define
Naquilo que o seu eu quer pra mim
Mas o meu eu não  é assim
O meu eu é  livre, mesmo acorrentado
O sonho é um portal que não pode ser fechado
Lá o meu eu é o eu que sou
É lá que eu  existo,  é lá que eu estou.

Pra onde vão os corações partidos?

Coração apertado em silêncio, calado
A voz na cabeça repetida, insistente
Chorosa, abafada, gritante, latente
O nó na garganta, o vazio
O amor represado, um rio
Assim como as pedras não param as águas
As convenções não represam o amor
Ele escorre, contorna, escapa em silêncio
Fluindo, seguindo os caminhos da dor
A felicidade confusa e serena
Que vem e que vai, mas que nunca é plena
O amor disfarçado e encarcerado
Atrás da cortina do palco apagado
O grito calado preciona a garganta
O olhar que se cruza, a vontade é  tanta
A pele revela o desejo contido
O medo congela o momento vivido
O olhar entristece, escurece, se apaga
A alma que sofre, se fecha calada
É  vida que segue, somando, faltando
Não bate de frente, segue desviando...
                                                                    15/05/2015


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Na sombra da noite eu me encontro
Num canto reclusa à  espreita
Na dor e no peso do mundo
O alívio que a alma rejeita
O grito abafado, contido
O pranto regrado, ausente
O vazio preenchendo tudo
Matando o sorriso inocente
A dor que não é mais sentida
Quando você já está dormente
O corpo, a alma, a vida
No modo entorpecente
De dentro da bolha o silêncio
A sublime sensação do nada
É como estar submerso
Imóvel dormindo acordada
Você é, mas não existe
Você quer, mas não insiste
Você pára, você cala, você mata
O que fica é sua casca
Vazia, oca ou repleta
Cheia de tudo, menos de você
Você é isso, aquilo e  aquilo outro
Só não é você  mesma
Porque você não existe
Morta aos pouquinhos
Sufocada, esmagada, estirpada
Retirada de si mesma
Cede espaço para o tudo
O tudo que não é você
O tudo que tem que existir
Você tem que sair
Desistir, desaparecer...
                                                20/08/2015